E o que é arte, afinal? Essa pergunta ecoa dentro de mim desde aquele dia, idos da década de 90, quando eu ainda não tinha nem vinte anos e um professor de história da arte resolveu lançar o questionamento que não mais me deixaria respirar sem pensar em uma resposta.
Tratei de ler Platão e Aristóteles, conceituar belo, pesquisar a semiótica e assistir ao Enigma de Kaspar Hauser, La Dolce Vita, Amacord, procurar imagens de Mirò, ler a biografia de Buñuel, escrever roteiros de cinema e me jogar dentro do teatro e da interpretação. Me apaixonei por Beethoven. Mas ainda não encontrei resposta para dilema tão profundo que corrói a alma artista.
Artista. Essa talvez seja a palavra chave para o esclarecimento de milhares de anos e angústias da humanidade mais humana. O que é ser artista, seja qual for a sua arte?
É uma busca empírica e observativa, sensorial. É preciso pensar nos grandes nomes da história mundial, e nos pequenos desconhecidos. E perceber a retórica das teorias desnecessárias. Que faz de um artista, artista?
Artista não é artesão, que produz em série. Mesmo sendo peças lindas, com todo seu valor e mérito, utiliza uma “fórmula” e consegue fazer 2.500 cestas iguais. O mesmo poderia dizer de certos diretores de novela e de cinema. Sem menosprezar o trabalho desses profissionais tão necessários, determinados, que sabem o que querem e o que precisam fazer para alcançar seus objetivos e realizar seu trabalho. O artista faz de cada obra única. Não tem receita de bolo.
Artista tem alma diferente. É velho e criança em todas as épocas. Artista nunca sabe o que é, o que quer, como fazer. Artista o é.
Utilizando o teatro como exemplo, já que estou inserida neste contexto. Li uma vez, de Plínio Marcos, algo parecido com isso: “Nenhum diretor ou professor pode ensinar a arte teatral. Mas cabe ao ator/aluno aprender como fazer, aprender a ser”. E é um aprendizado eterno, uma busca de cada e todo dia.
Não é questão de ignorar a técnica ou desprezar ensinamentos tão valiosos de mestres fundamentais. É um manifesto em prol do auto-conhecimento, do artista antropológico e filósofo, que tira sua arte de dentro da alma, encarando cada segundo como único, cada emoção como a mais verdadeira, cada ato efêmero que é eterno e se evapora.
quarta-feira, 8 de abril de 2009
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