
Dizem que para escrever bem é preciso praticar. Pois aqui me coloco à disposição do ofício de escritor, digo, criador, que submete-se a criar histórias, recontadas quase sempre de um imaginário infundado, mesmo com embasamento em pesquisas ou autodidatismo. Dizer de tudo um quase nada e falar de mil assuntos ao mesmo tempo. Dizem, os velhos ditados populares que quem fala a sua vila, fala ao mundo inteiro.
Sei que escrevendo diariamente, assim como lendo, melhoro meu vocabulário, pratico minhas idéias, blá, blá, blá. Porém, será que um texto bem construído deduz uma boa história, ou gostosa de ser lida? Há quem duvide dos críticos.
Particularmente, diria eu, pobre mortal, ousando a mais pura blasfêmia literária, acho que José de Alencar, um exemplo da mais clássica literatura brasileira, possui uma maneira toda própria de escrever, rebuscada, mais que correta, observando religiosamente nossa língua máter, criativo ao compor suas histórias. Histórias que quando me narradas por um interlocutor acho encantadoras. Perdoem-me. Considero um verdadeiro tédio ler seus livros e incompetentemente nunca cheguei ao final de nenhum deles. Talvez o problema seja eu, minha pobre leitura.
Daí, entendo o porquê de o público leitor brasileiro mediano prefira ler Paulo Coelho. Está bem, não me atirem pedras antes que eu me explique. Não disse que concordo, disse que entendo. Explicarei.
Eu, pseudo cérebro pensante, informadora de opinião, aprendi a ler muito cedo e sempre fui incentivada, ganhava livros de presente, mãe professora e pai jornalista. Comprei meu primeiro livro com dinheiro da merenda aos cinco anos de idade. Nunca mais parei. Sonho em ler tantos livros que ainda não tenho, tenho outros tantos que ainda não consegui ler, e vorazmente ainda empresto de amigos, bibliotecas, afins.
Não terminei Iracema, Cinco Minutos, Senhora, Lucíola (quase lá), O Guarani (idem). Mas talvez não seja culpa só dele. Também na estante permanecem quase, eu disse quase, intocados Ulisses, Guerra e Paz, O Outono do Patriarca, O nome da Rosa, Os Sertões. Não desisti ainda. Devo conseguir finalizar O Diabo e o Bom Deus, que Sartre me perdoe.
Acho que é mais uma questão de preguiça. Ler Ulisses sem um dicionário ao lado é uma aventura lingüística. Com um dicionário é um tédio, pois paro a cada duas linhas para consultar ao pai dos burros. Sigo tentando me letrar um pouco mais, enquanto, jornalista, redatora, roteirista, atriz e protodramaturga.
E o que posso dizer do meu amigo já citado, o público leitor brasileiro mediano (não é pejorativo, mas sim “na média”). Ele não foi iniciado nos prazeres da descoberta das letras. Não foi desafiado a entender as diferenciações masculino/femininas de Dom Casmurro – mas sim obrigado a ler o livro para responder questões como “Defenda ou acuse Capitú”. Será que esse mestre-professor ainda não entendeu que essa questão é a menor tratada no livro?
É preciso mudar a origem. Sem punições ou restrições. É preciso despertar em nossas crianças a imaginação que uma boa leitura pode trazer. A criatividade ao pensar cada detalhe da personagem lida. Olhos, cabelos, personalidade, amores, paixões, medos. Aprender a tirar lições para a vida. Aprender a sonhar e a transformar a realidade em sonhos. Apaixonar-se. Descobrir-se. Encantar-se. Viver.
É fundamental que preparemos hoje os professores e pais de daqui a vinte anos. É precioso que eles saibam repassar esse amor e esse desejo. É urgente que eles queiram os clássicos e descubram novos clássicos. É imprescindível que haja/nasça um novo gênio das letras. Enquanto não mudarmos a educação desse pobre País, enquanto Suassuna não for rei, Machado amigo, Oswald ídolo da juventude transviada, não terei o direito de dizer uma vírgula sobre O Demônio e a Srta. Prym (nem que é um plágio deslavado da Alma Boa de Setzuam). Pois é essa a literatura que diverte, distrai. É a literatura que ele, o público leitor brasileiro mediano, entende e gosta. E quem sou eu para dizer que estão errados.
Hoje vou fazer as pazes com Aluízio de Azevedo, e por hora, dêem-se satisfeitos com isso.
Sei que escrevendo diariamente, assim como lendo, melhoro meu vocabulário, pratico minhas idéias, blá, blá, blá. Porém, será que um texto bem construído deduz uma boa história, ou gostosa de ser lida? Há quem duvide dos críticos.
Particularmente, diria eu, pobre mortal, ousando a mais pura blasfêmia literária, acho que José de Alencar, um exemplo da mais clássica literatura brasileira, possui uma maneira toda própria de escrever, rebuscada, mais que correta, observando religiosamente nossa língua máter, criativo ao compor suas histórias. Histórias que quando me narradas por um interlocutor acho encantadoras. Perdoem-me. Considero um verdadeiro tédio ler seus livros e incompetentemente nunca cheguei ao final de nenhum deles. Talvez o problema seja eu, minha pobre leitura.
Daí, entendo o porquê de o público leitor brasileiro mediano prefira ler Paulo Coelho. Está bem, não me atirem pedras antes que eu me explique. Não disse que concordo, disse que entendo. Explicarei.
Eu, pseudo cérebro pensante, informadora de opinião, aprendi a ler muito cedo e sempre fui incentivada, ganhava livros de presente, mãe professora e pai jornalista. Comprei meu primeiro livro com dinheiro da merenda aos cinco anos de idade. Nunca mais parei. Sonho em ler tantos livros que ainda não tenho, tenho outros tantos que ainda não consegui ler, e vorazmente ainda empresto de amigos, bibliotecas, afins.
Não terminei Iracema, Cinco Minutos, Senhora, Lucíola (quase lá), O Guarani (idem). Mas talvez não seja culpa só dele. Também na estante permanecem quase, eu disse quase, intocados Ulisses, Guerra e Paz, O Outono do Patriarca, O nome da Rosa, Os Sertões. Não desisti ainda. Devo conseguir finalizar O Diabo e o Bom Deus, que Sartre me perdoe.
Acho que é mais uma questão de preguiça. Ler Ulisses sem um dicionário ao lado é uma aventura lingüística. Com um dicionário é um tédio, pois paro a cada duas linhas para consultar ao pai dos burros. Sigo tentando me letrar um pouco mais, enquanto, jornalista, redatora, roteirista, atriz e protodramaturga.
E o que posso dizer do meu amigo já citado, o público leitor brasileiro mediano (não é pejorativo, mas sim “na média”). Ele não foi iniciado nos prazeres da descoberta das letras. Não foi desafiado a entender as diferenciações masculino/femininas de Dom Casmurro – mas sim obrigado a ler o livro para responder questões como “Defenda ou acuse Capitú”. Será que esse mestre-professor ainda não entendeu que essa questão é a menor tratada no livro?
É preciso mudar a origem. Sem punições ou restrições. É preciso despertar em nossas crianças a imaginação que uma boa leitura pode trazer. A criatividade ao pensar cada detalhe da personagem lida. Olhos, cabelos, personalidade, amores, paixões, medos. Aprender a tirar lições para a vida. Aprender a sonhar e a transformar a realidade em sonhos. Apaixonar-se. Descobrir-se. Encantar-se. Viver.
É fundamental que preparemos hoje os professores e pais de daqui a vinte anos. É precioso que eles saibam repassar esse amor e esse desejo. É urgente que eles queiram os clássicos e descubram novos clássicos. É imprescindível que haja/nasça um novo gênio das letras. Enquanto não mudarmos a educação desse pobre País, enquanto Suassuna não for rei, Machado amigo, Oswald ídolo da juventude transviada, não terei o direito de dizer uma vírgula sobre O Demônio e a Srta. Prym (nem que é um plágio deslavado da Alma Boa de Setzuam). Pois é essa a literatura que diverte, distrai. É a literatura que ele, o público leitor brasileiro mediano, entende e gosta. E quem sou eu para dizer que estão errados.
Hoje vou fazer as pazes com Aluízio de Azevedo, e por hora, dêem-se satisfeitos com isso.