quinta-feira, 5 de março de 2009

Sorriso, eu te vi...

Eu vi o sorriso andando nas ruas da metrópole.
Distraído, sem lembrar onde estava. Sem buscar ou esperar nada. O sorriso dava passos curtos e distraídos naquele jardim de cimento.
Ele, sem prestar muita atenção aos transeuntes, sem pressa nem motivação aparente, caminhava e sorria, embaixo daquele céu meio azul, meio cinza, meio quente, meio frio.
O sorriso respirava sorrindo. Da forma que podia. Sorria com os olhos, com o passo, com as mãos nos bolsos. Sorria com a leve brisa tocando seus cabelos, que revoavam sem direção certa.
O sorriso passou por mim, sem notar que gerou certa curiosidade.
De onde vem o sorriso, assim, despreocupado.
Ah! Inconseqüente sorriso. Não sabia que naquele momento gerava em mim tal curiosidade. Como pode ele sorrir assim? Beirava a deselegância. Não. Impossível. O sorriso altivo é sempre elegante.
Ele simplesmente contrariou todas as prerrogativas de se viver nessa cidade. Não se deu conta do trânsito, da poluição, da baixa umidade do ar, dos pichadores, dos motoboys, das buzinas, da miséria, da corrupção, da soberba, da ganância, da tristeza pálida, da cara feia virando a esquina, e sorriu.
Ah! Sorriso, se soubesse da intolerância que ronda as casas, talvez não sorrisse assim.
Mas ele pouco importou-se, seguiu sorrindo, pela terra sem garoa onde vivemos, teimando em existir.

Um comentário:

Fernanda Fassarella disse...

Vanessa!!

Eu vi seus comentários lá no meu Coração... mas não achei que escrevesse. Eu adorei isso! Simplesmente doce e real. Ah, eu gostei muito do sorriso. Ele merecia mesmo esse texto.

Beijo