Talvez um dia eu tenha consciência de todos os meus passos. Consciência plena de todas as razões ocultas que me levam a tomar decisões tão importantes que podem mudar o meu destino, como, por exemplo, que roupa vestir, ou o ônibus que vou tomar para ir até determinado lugar. Porque coloquei esse sapato, que me faz andar um pouco mais devagar, e penso em todas as pessoas que deixei de cruzar em meu caminho.
O fato de ter pintado as unhas de vermelho desperta tal curiosidade nos colegas, que talvez um esmalte transparente passasse desapercebido. Ou um lilás faria com que parassem de comentar em silêncio e viessem, diretamente, me abordar.
Por que me calo indignada com uma grosseria e vou remoendo até ficar verdadeiramente magoada com uma coisa tão simples, como uma louça suja? E por que não reclamo da louça suja?
Porque escolho viver e conviver com determinadas pessoas e afasto outras de mim. E talvez goste muito mais dessas outras que afastei?
Ai! São tantos porquês nessa vida, que nem mesmo sei o porquê de estar falando sobre isso.
É que minha vida é feita de escolhas. Conscientes ou inconscientes. A mim cabe a responsabilidade por todos os meus passos. Notem que disse responsabilidade e não culpa. Não trabalho com ela. Devo sentir-me responsável, sim, e até arrepender-me de uma ou outra coisa, apreender e fazer diferente.
Ao contrário de tanta gente que sente culpa e se impede de viver. Que culpa os outros, tirando de si toda a responsabilidade por suas escolhas, que resultam na sua alegria ou no seu sofrimento.
E de verdade? Eu não faria diferente. Não lamento o fim de nenhum tipo de relacionamento, por mais que naquele momento eu tenha sofrido como o diabo diante da cruz. Foi esse fim que me permitiu viver tudo que vivi depois disso. Agradeço a esse fim. Permito-me até ficar nostálgica por momentos que algumas de minhas decisões afastaram de mim. Porém, tem que ser uma memória boa. Nada de extravios de sorrisos, prospecção de dores musculares e cultivo de noites insones.
Viva a consciência dos passos, para o amanhã não chegar como lamento de equívocos.
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
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