São Paulo, rua Augusta. Inverno. Vestido. Meia. Bota. Café preto puro. Água com gás. E nem a lua apareceu. Parece meditação: caminhar olhando vitrines, folheando livros, sem procurar nem achar nada. Não penso em nada e sinto minha mente tão livre para ir onde quiser e ao mesmo tempo tão vazia. Sinto paz. É só deixar o tempo passar. Paz! E isso é o melhor que eu poderia ter agora. É tão simples dar uma chance à paz, se é que você me entende.
Virada uma esquina. Mudança de vocabulário. Eu tenho. Com ponto decisivo no final da frase. Que pena me dão as pessoas tristes, olhar triste. Não sabem sorrir.
Ar, mar, lua, luar. Mais um sorriso múltiplo. Quero ser muitas e loucas. Normal. Neurótica, histérica. Uma taça de vinho por Dionísio e o telefone tocar. Um índio no rio de carros da metrópole. Hoje sou caipira cosmopolita que sabe (pode) voar.
Estou aprendendo a amar. A inconsistência do ser – na ausência de frase ou definição melhor. Correto. Incorreto. Etimologia que amola e não afia nem rima e nem prosa. Triste fim de um guarda-chuva vermelho.
Que paciência, beleza, simpatia, tolerância, fair-play e falta de talento precisa ter, além de receber. E que talento é necessário para tanta ausência. E que talento para criticar, quem faz menos e recebe menos ainda por isso?
E para que troféus, saias e gravatas. Tudo uma capa que vai revelar-se no banheiro masculino, com toda podridão que mais tem quem escreve que quem é citado. E não são tristes as citadas, mas infelizes. Cada qual com sua história ou falta dela.
Eu já venci. Pena minha glória escondida. Não sei o que é maior. Meu medo ou minha pena. Sinto mesmo pena desses seres pseudo-humanos. Mas o medo não deixa transformar-se em compaixão. E o gordo me diz 15 minutos. Falácia. Falastríce. Falastrão. Bizarrice. Quero uma câmera fotográfica!
Uma ode crônica aos poetas da cidade. Millôr diz que poeta também é gente. Mas é preciso definir o que é poeta e/ou o que é gente. Aí vou saber se prefiro ser poeta ou ser gente, ou se gente também é poeta, já que poeta também é gente.
E essa gente, será que é gente, ou será que é coisa. Eu vi a coisa na rua, andando pela cidade, dizendo palavras soltas. A coisa coisou comigo. E era tão coisa, a coisa, que eu fiquei coisada, com tanta coisa vestida de gente, andando pela cidade.
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
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3 comentários:
Parabéns querida,
começou iluminada. Vou acompanhar sempre.
Hei Va...que bom que se fez novamente "presente" sua "coisa". Poxa, eu aqui notivagando pela sala, vejo minha mensagens no Orkut, missão diária de apagar convites a comunidades que nada tem a ver comigo..e..me deparo com uma ótima notícia sua..Devaneios strike again...Amo o que você escreve... e é tão saudável essa leitura..me faz bem...encher os olhos, a alma e a mente de poesia..prosa...devaneios ...seja bem-vinda de volta..agora de-me licença que o trabalho regado a Coca-cola me chama..e já são 2 horas da matina. Beijos
Que bom que vieram ler..
Lu, estou doida pra te ver, mas tanta correira nessa cidade. Uma vergonha né. mas fico feliz que me acompanhe por aqui. Beijão.
Celo, você sempre foi um grande incentivador da minha escrita...
Sempre bem vindo.
Beijo enorme!!
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